terça-feira, 17 de junho de 2008

Relembrando...

Desde a primeira aula da disciplina "Prática de Leitura e Escrita", foi sugerido que relembrassemos o nosso processo de aprendizagem da leitura e da escrita, para então contá-lo no blog. Diante de tal proposta, me pus a pensar no assunto. O problema é que não conseguia lembrar de nada. Sei como foi o processo teoricamente, por conhecer a metodologia da escola em que estudei, mas gostaria de resgatar alguma passagem que estivesse em minha memória. Algo que de tão significativo estivesse aqui guardado comigo. E foi frustrante não conseguir lembrar. Por isso acabei nunca escrevendo sobre o assunto!
Agora, para a elaboração do trabalho final, eu e meu grupo achamos interessante incluir essa passagem sobre cada integrante. E lá estava eu novamente na ansiedade para conseguir lembrar de alguma cena ou momento da minha época de aprendizagem. Percebo apenas, mas com clareza, que a minha relação com a aprendizagem, assim como com a escola, sempre foi muito boa. Sempre tive prazer em estudar. Por isso, acredito que aprender a ler e a escrever foi um momento gostoso pra mim.
Com muita curiosidade, fui conversar com meus pais para que me contassem sobre suas lembranças deste meu processo. Eles me disseram que eu aprendi a ler e a escrever muito rápido. Que foi um processo tranquilo e natural. Eu gostava muito de ler livrinhos que compravam para mim, com grandes ilustrações e apenas uma palavra escrita. E dessa palavra, vieram as frases. Além disso, eu adorava ficar escrevendo e meus pais, sob orientação da escola, não reparavam ou corrigiam os erros que eu cometia, mas sim elogiavam e incentivavam a prática.
O mais marcante para eles, deste meu momento, e que eu lembrei ao ouvi-los contar, é que quando comecei a ler eu ficava lendo todos os outdoors na rua. Eu fazia muito isso e adorava. Era uma delícia descobrir um novo mundo... e isso me encantava!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A roda de leitura...

Bom, é chegado o momento de contar porque a roda de leitura, feita em sala de aula, foi essencial para que eu pudesse significar toda essa experiência que tive ao ler A Hora da Estrela.
Assim que começamos a conversar, pude perceber que aquela angústia sentida por mim era compartilhada por todas as leitoras. Assim como eu, elas também ficaram ansiosas por acontecimentos e pelo desenrolar da história de Macabéia. É interessante perceber que, ao constatar que este sentimento era compartilhado, senti um grande alívio. Parece-me que eu estava aflita por achar que não tinha sido capaz de compreender a história e a mensagem do livro. Percebi que isso não havia acontecido apenas comigo, o que me confortou.
Além disso, discutimos a idéia de que este é um livro que incomoda e uma das razões para isso acontecer é o fato de ser bastante depressivo. A própria personagem Macabéia é alguém que não tem ambição, nem desejo, nem senso crítico, o que muitas vezes chega a incomodar e a causar uma certa revolta. Entretanto, ao mesmo tempo, é uma personagem tão bem moldada, evidenciando uma ingenuidade em sua personalidade, o que deixa o leitor comovido.
Foi interessante também significar a reação de frustração de nós, leitoras, com a história. Entendemos que, ao estabelecer uma relação errada com o texto, assumimos a postura errada do leitor que o texto pedia. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei por muito tempo lendo o livro na expectativa de deslanchar a história de Macabéia, sem me dar conta que essa expectativa não seria atendida e, portanto, a frustração seria apenas uma questão de tempo. Isso é assumir uma postura errada, não percebendo que Macabéia era uma história secundária e o que se evidenciava ali era o dilema de um autor na construção de uma personagem.
Achei muito interessante a frase que a Márcia disse: um autor não escreve aquilo que você quer que ele escreva ou que você acha que ele deveria escrever.Após toda essa reflexão, acredito que, além de uma experiência angustiante, a leitura de A Hora da Estrela foi também uma experiência enriquecedora, contribuindo para um amadurecimento do papel de leitor.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

Ler este livro foi uma experiência bastante interessante, principalmente depois que tive a oportunidade de conversar sobre ele numa roda de leitura na disciplina Prática de Leitura e Escrita. Mas além de interessante, foi também uma experiência angustiante!
Quando peguei o livro, para iniciar a leitura, achei que encontraria ali um romance; a narrativa de uma história daquelas bem clássicas com começo, meio e fim. Sim, eu sabia que por se tratar de uma obra da Clarice, temas mais profundos, reflexivos e introspectivos poderiam ser o pano de fundo da história, mas não imaginei que encontraria o que encontrei. Que vivenciaria o que vivenciei.
Ao iniciar a leitura, me deparei com um texto difícil de entender. A história parecia não começar do começo. Isso já foi me angustiando. É muito ruim quando se termina a primeira página do livro sem entender nada. Neste momento, me lembrei da experiência que tive há tempos atrás na leitura de um texto – a qual eu contei aqui no blog, algumas postagens abaixo. Lembrei que naquela oportunidade eu não desisti e continuei lendo mesmo sem entender, com a esperança de que em algum momento alguma coisa faria sentido. E foi isso que aconteceu: mais adiante eu compreendi e pude voltar no texto para retomar as informações anteriores. Como essa experiência foi gratificante, resolvi repeti-la. Continuei lendo mesmo sem compreender, com a idéia de que em algum momento aquilo tudo faria sentido.
E assim foi. Comecei a perceber que o narrador estava apresentando a história que iria contar. Para isso, ele apresentara a personagem principal: a nordestina. Comecei achar interessante a apresentação, pois passei a relacioná-la com as aulas de Prática de Leitura e Escrita. Eu pensava comigo: “deve ser por isso também que estamos lendo este livro, para ver como é o processo de um autor ao compor seus personagens e suas histórias”.
Mas, inevitavelmente, passei a esperar pelo início da história da nordestina. Essa espera foi se tornando cada vez mais angustiante. E também cansativa. Lembro que em certa passagem o narrador disse “sei que estou adiando a história” e nesse momento me senti muito aliviada. Minha percepção, de que estava demorando muito para algo acontecer, estava correta. O próprio autor/narrador estava escancarando isso.
Quando ele começou, finalmente, a contar a história de Macabéia (a nordestina) pensei “agora vai”. Mas fui percebendo que ao longo do livro, o narrador contava a história dela e voltava a contar a sua, falando sobre sua experiência e seus sentimentos ao escrever tudo aquilo. Dessa forma, durante toda minha leitura, me senti angustiada. Angustiada por esperar grandes acontecimentos e eles não virem rapidamente e angustiada porque as duas histórias narradas – a de Macabéia e a do narrador – eram tristes, depressivas.
Cheguei ao final do livro frustrada com o que tinha encontrado. Percebi que durante muito tempo da leitura fiquei com uma expectativa que não foi suprida. A história precisou terminar para eu perceber que não aconteceria aquilo que eu estava esperando que acontecesse: um romance com começo, meio e fim. A história de Macabéia, na verdade, ocupa uma parte pequena do livro. A outra parte é tomada pela história do narrador.
Essa leitura tinha me deixado bastante intrigada até o momento em que fui discuti-la na roda de leitura em sala de aula. Essa discussão, para mim, foi essencial, me fez significar toda essa experiência que tive com o livro A Hora da Estrela. Por isso, acho que vale a pena contar aqui quais foram as grandes descobertas e percepções que pude ter a partir deste momento.
Mas deixo isso para a próxima postagem!