quinta-feira, 24 de abril de 2008

Pensando sobre a leitura...

Na semana passada me deparei com um texto que me intrigou bastante! O texto mencionado foi lido para o seminário que estamos desenvolvendo na disciplina "Prática de leitura e escrita".
Nossa que leitura difícil!
Percebi que ler um texto e não compreender o que está sendo dito é altamente angustiante! Eu diria até desesperador!
Eu sentei numa mesa, com lápis e canetas coloridas para estudar o texto. Comecei a ler e não entendi nada já no primeiro parágrafo. Li novamente o parágrafo. Dessa vez, compreendi um pouco mais, mas ainda não estava satisfeita. Fiquei com a sensação de que o texto estava dizendo muito mais do que eu estava captando. Bom, comecei a ler mais uma vez. Posso dizer que já me sentia angustiada e com receio de não compreender nada sobre o assunto abordado.
Até que pensei "quer saber, vou lendo, mesmo sem entender. Quem sabe em algum momento algo faça sentido". E foi a melhor coisa que eu fiz. Mais lá na frente, já em outra página, consegui compreender uma idéia apresentada. Nossa, que gratificação! Ao compreender essa idéia, me senti mais segura e resolvi começar novamente a leitura. Dessa vez com maior compreensão do que eu estava lendo. E assim foi. Ao compreender algo, eu voltava um pouco e via se com aquela informação eu entendia a idéia anterior.
Aos poucos, fui tendo a sensação de que eu estava conseguindo assumir a postura de leitor que aquele texto pedia. Era um texto para ser estudado, lido com atenção.
Com essa leitura, percebi o quanto é angustiante não compreender o que está se está lendo. Ao mesmo tempo que é muito gratificante e prazeroso, quando consegue-se compreender algo. É essa gratificação que nos estimula a continuar a ler e enfrentar o desafio de compreender.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pensando sobre a escrita...

No texto anterior, eu comentei um pouco do que venho pensando sobre desafios.
Falando mais especificamente sobre o desafio de escrever, trago aqui mais um trechinho do livro de Rainer Maria Rilke, "Cartas a um Jovem Poeta".
Pensei neste trecho porque, embora estivesse constatando que não exista uma fórmula mágica que nos faça deslanchar na escrita, algumas dicas e estímulos são sempre bem vindos e podem ajudar. Neste caso, entendi esta passagem do livro de Rilke (2001) como uma boa dica a ser levada em conta.
Ele escreveu:
"... relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza - relate tudo isso com íntima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair suas riquezas" (p. 27).
Como para cada um de nós, a motivação virá de modos diferentes, esta dica de Rilke pode ou não ajudar. Mas, para mim, foi algo que me fez pensar. Pensei na idéia de que para escrever, podemos buscar estímulo numa simples observação do cotidiano, ou mesmo em imagens de um sonho. Coloco aqui esta passagem apenas como uma tentativa de buscar idéias para estimular a minha escrita e de pessoas que venham a se interessar por essa prática. Depois vale a reflexão se a dica ajudou ou não!
Partindo dessa idéia, me lembrei das discussões feitas nas aulas "Prática de Leitura e Escrita" sobre inspiração. Entendo que este tema esteja relacionado com o que estou aqui discorrendo. Estamos cada vez mais discutindo e percebendo que a inspiração para escrever é algo que precisa ser construido, buscado. Ela é um reflexo, um produto de trabalho mental. Ela não aparece assim de repente, como algo divino, sobrenatural, que vem sem o nosso domínio. Neste sentido, usando a dica de Rilke apresentada aqui, é possível buscar a inspiração nestes momentos por ele citados.
Rilke não fala especificamente sobre inspiração. Mas, estudando as falas de diferentes escritores, percebemos que realmente inspiração não se trata de uma mágica, de uma dádiva divina. É preciso, sim, muito trabalho. Algo tem que ser disparador dessa inspiração e, com o tempo, cada um de nós pode descobrir, através do seu percurso de experiências, onde buscar essa inspiração. É com a prática que vamos observando e descobrindo...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cartas a um Jovem Poeta

Após ler o livro "Cartas a um Jovem Poeta" de Rainer Maria Rilke, tenho pensado muito sobre os desafios que surgem para nós e a maneira que reagíamos diante deles. Muitas vezes, a nossa expectativa é que exista alguém (ou algo) que possa aliviar nossa tensão, dando conselhos e dicas que resolvam para o nós o desafio posto. Sim, conselhos e dicas podem ser dados e até ajudar a diminuir a tensão. Mas quem precisará enfrentar de fato o desafio e encontrar o melhor caminho pra atingir o que desejamos somos nós mesmos, não é?
Bom, o livro que mencionei apresenta dez cartas que o autor escreveu a um jovem quando este lhe pediu que fizesse um julgamento sobre suas tentativas poéticas. Diante de tal pedido, em sua primeira resposta, Rilke (2001) escreveu:
“O senhor está olhando para fora, e é justamente o que menos deveria fazer neste momento. Ninguém pode aconselhar ou ajudar – ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo.” (p. 25)
E mais adiante prosseguiu:
“Meu prezado senhor, não posso dar outro conselho fora este: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar.” (p. 28)
Neste sentido que venho pensando sobre desafios. Quando nos vemos diante de alguma coisa a ser feita - seja no trabalho, na faculdade, ou mesmo na vida social - que nos deixa tensa, com dificuldades, sem saber por onde começar, bom seria encontrar um manual pronto que tirasse todas nossas dúvidas e que apresentasse respostas às dificuldades encontradas. A questão é que, em muitas situações, esse não é o caminho para descobrir como enfrentar o desafio. É perceber que não existe uma fórmula mágica, um único jeito ou o jeito certo de resolver. Teremos que encontrar, sozinhos, o nosso caminho. O que faz sentido para nós.
Assim tenho visto e pensado sobre as aulas de "Prática de Leitura e Escrita". A idéia de que existe um manual que nos ensine como ter idéias, como escrever bem e como ler muito, compreendendo, está sendo cada vez mais abandonada. Vejo que podemos ser sim estimuladas, acolhidas em nossa dificuldade e que podemos aprender com a experiência, com o treino. Mas o processo da leitura e da escrita vai caminhar pra cada uma de modo diferente. Cada uma de nós terá que descobrir maneiras de deslanchar nesses aspectos.
Precisamos nos observar, olhar para nós mesmos, para então buscar caminhos para conquistar uma maior confiança e criatividade para o ato de ler e escrever.
Referência: Rilke, Rainer Maria. Cartas a um Jovem Poeta e A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Tradução: Paulo Rónai e Cecília Meireles. São Paulo: Globo, 2001.